Posts de Outubro, 2009|Página de posts mensais

Como elaborar uma política de mídias socias para sua empresa

Estava consultando diversas fontes para prepar meu workshop sobre Governança e Gestão de Conteúdo na Era do Enterprise 2.0, quando reparei num consenso de vários autores sobre uma das razões para a implentação da web 2.0 fracassar nas empresas. Essa razão é o excesso de restrições.

Lembrei de um amigo que contava que, num dos clientes da empresa dele, quando o funcionário ia postar alguma coisa na Intranet, abria um disclaimer assustador, no qual só faltava falar que, dependendo do que escrevesse, iria preso (se é que realmente não falava isso!) Evidentemente, o resultado nessa empresa era de uma falta total de adoção por parte dos funcionários. Afinal, quem iria se arriscar.

A onda do Enterprise 2.0 trouxe novamente a questão da definição de políticas ao primeiro plano, lugar de onde, na minha opinião, nunca deveria ter saído. Não vou abordar neste post que, na maioria das vezes, as empresas não têm políticas e modelos de governança consolidados para a Intranet/Portal Corporativo atual e já querem pular para o ambiente 2.0.  Com isso perdem toda a curva de aprendizagem sobre erros e acertos nas regras do jogo.

A grande diferença entre as políticas para a utilização dos funcionários das ferramentas e tecnologias do Entreprise 2.0 é conceitual: o foco passa do corporativo para o individual. Não é mais a empreza XYZ que está postando, interagindo e se comunicando, agora é a pessoa fulano (a) de tal que fala em nome dela mesma, como pessoa, e não mais como um membro da organização. E isso tem que ficar bem claro, inclusive sobre as responsabilidades que essa mudança acarreta.

Mas, uma política elaborada para uma nova realidade na qual o funcionário passa a ser responsável por gerar o conteúdo, não pode ter um cunho punitivo. Ao contrário, tem de orientar,  educar e, claro, também alertar sobre riscos, porém, muito mais no formato de guia que de código penal. Afinal, a colaboração num ambiente 2.0 é algo muito recente e, principalmente, que começou a ser utilizada para fins pessoais, portanto pode ser difícil para alguns saber até onde podem ir.

Veja, por exemplo, um resumo do guideline IBM para os que ela chama de IBM Bloggers.

• Conheça e obedeça o Código de Conduta da IBM.

• Blogs, wikis e outras formas de contato online são interações pessoais e não corporativas. IBMers são pessoalmente responsáveis por seus posts.

•Deixe claro que não está escrevendo em nome da IBM. Se postar algo que esteja relacionado com ao seu trabalho ou com assuntos da IBM, publique um disclaimer: “O posting nesse site é uma iniciativa própria e não necessariamente representa a posição, estratégia ou opinião da IBM.”

• Não mencione clientes, parceiros ou fornecedores sem ter a aprovação deles.

• Respeite seu público. Não faça referencias raciais, insultos pessoais, obsenidade, etc e  demonstre consideração pela privacidade dos demais.

• Não alimente discussões, seja o primeiro a corrigir seu erro e não escreva um novo post antes de reconhecer que errou.

É um resumo, mas o guideline inteiro não é muito maior que isso. Aliás, o que é outro segredo dessas políticas: não escreva uma bíblia. Nesse caso, como em muito outros, menos é mais.

Repare que, em nenhum momento, a IBM proíbe alguma coisa. Ela orienta e avisa sobre os riscos, mas o que o funcionário vai fazer é escolha dele.

Note também que o primeiro tópico é que o funcionário tem que conhecer e respeitar o código de conduta da IBM. Bingo! Com certeza a sua empresa também tem um, o qual todo mundo têm de assinar quando é contratado. É um excelente ponto de partida, pois, mesmo que você tenha esquecido dele, várias questões sobre como a informação deve ser tratada, estão lá. Não será preciso reinventar a roda, apenas fazê-la evoluir para uma nova realidade.

Se você quiser conhecer outras políticas, no link abaixo você encontra 80 exemplos de empresas que já estão percorrendo o caminho 2.0.

http://socialmediagovernance.com/policies.php