O que tira o sono dos gestores em relação às redes sociais
Quando uma nova tecnologia oferece, segundo quem já a utiliza, uma redução significativa no tempo de resolução de problemas e na tomada de decisões (além torná-las mais acertivas), ela é rapidamente adotada no mundo corporativo, certo? Bem, eis um caso em que, na prática, a teoria é outra.
De acordo com o Global Intranets Trends for 2009, da JMC Strategy, publicação que analisa os resultado da mais reconhecida pesquisa global de Intranets e Portais Corporativos, da qual sou local partner no Brasil, muitas empresas ainda estão testando as ferramentas e tecnologias de Enterprise 2.0, porém em poucas essas tecnologias realmente funcionam a plena capacidade. O relatório também aponta que, as empresas em que o Enterprise 2.0 já funciona a todo vapor, estão bastante satiisfeitas com o resultado: rapidez na solução de problemas e na tomada de decisões.
Então, por que é que as tecnologias do Enterprise 2.o, apesar de sua utilização aumentar gradualmente, ainda não exploridaram atrá do firewall? A resposta está na desconfiança com que os gestores ainda encaram tudo o que for 2.0.
As principais preocupações dos gestores podem ser pontuadas em três tópicos:
Medo em relação à queda de produtividade dos colaboradores
Há a desconfiança de que as pessoas ficarão mais tempo postando, o que influirá negativamente em seu cotidiano profissional. É o medo de que os colaboradores tragam para o ambiente de trabalho os mesmos hábitos que têm nos sites de redes socias de que participam. O engraçado é que esse é o mesmo argumento que escutei em 1999, do diretor de TI de um grande banco, justificando porque não permitia acesso à Internet na empresa.
Independentemente da tecnologia, a empresa sempre será um microsistema social com regras própria. Numa época de redução de postos de trabalhos, e não estou me referindo especificamente à crise econômica, será que alguém imagina que um colaborador vai deixar de fazer sua entregas para ficar teclando? O que pode ocorrer é um excesso de utulização das ferramentas com a intenção de utilizá-las em todos os momentos da atividade profissional, o que, talvez, não seja necessário e gere, no final, o desperdício de tempo.
Para evitar que isso aconteça, o planejamento e governança mais essenciais do que nunca.
Segurança de Informação
As tecnologias 2.0 facilitariam a divulgação de informações confidenciais por parte dos funcionários. Mais uma vez apelando para a a realidade atual: a sua empresa não tem uma política deconfidencialidade com a qual todo funcionário têm de concordar quando é contratado? Então, basta adaptá-la à nova realidade 2.0, aliás como deve ser, já que a política não pode ser um arquivo esquecido e imutável.
Mais uma questão de governança: a revisão, ou até mesmo, elaboração de uma política de confidencialidade e termos de uso.
Cultura corporativa
Muitos gestores avaliam que a cultura corporativa da empresa não está preparada para ser tão aberta e os recursos investidos serão desperdiçados. Ora, numa visão mais extensa, esse pensamento condena a empresa à extinção, pois toda organização muda, por bem ou por mal, para seguir operando.
A adoção do Enterprise 2.0 é uma oportunidade única para uma empresa planejar a gestão de mudança, a fim de adotar uma postura mais colaborativa de conhecimento, objetivando a inovação, que é, basicamente, o pilar que determinará quem continuará no mercado num futuro bem próximo.
Seria loucura não reconhecer que muitos gestores têm boas razões para ainda ter um pé atrás em relação ao Enterprise 2.0. O caminho para quebrar esses paradigmas esté em um consistente modelo de governança, onde as regras sejam simples, claras, fáceis de entender, porém rígidas no tratamento das diversas situações.
É esse modelo de governança que vai permitir, na ótica dos gestores, diferenciar a sua empresa entre aquelas que apenas estão indo em mais uma onda e as demais, poucas ainda, que realmente estão fazendo do conceito 2.0 um diferencial competitivo.
8 comentários até agora
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Bom texto. As empresas devem se preocupar com o que pode ser controlado. Não é bloqueando a internet que irão obter mais dedicação de um funcionário. Pelo contrário, um funcionário feliz, em poder espairecer, em algumas redes sociais, durante o horário de trabalho, torna-se bem mais produtivo!
Abraço!
@idegasperi
Obrigado pelo comentário, Israel. Confesso que você enxergou sobre outra ótica: a de não tratar os colaboradores como crianças que, na primeira oportunidade vão fazer de tudo para não ter de trabalhar. Muito interessante sim, pois pesquisas mostram que os sites de redes sociais são mais acessados durante os horários de trabalho e nem por isso as pessoas deixam de produzir. Muito pelo contrário, todo mundo está cada vez mais produtivo e competitivo.
Abraço,
Fernando, se pensarmos na Web 2.0 simplesmente como tecnologia, vamos continuar encarando a TI como custo, consumindo grande parte do orçamento em segurança, controle, monitoramento, etc. Não que isso não seja importante, mas os executivos podem encarar a Web 2.0 mais como um problema do que uma maneira para transformar as atuais práticas de gestão.
Segurança e governança continuarão sendo importantes. Com certeza os fornecedores de soluções e grandes empresas de TI criarão mecanismos para endereçar essas preocupações.
No meu ponto de vista, os executivos não devem consumir seu tempo pensando nos problemas e riscos envolvidos com a Web 2.0. Devem usar seu tempo e energia para criar uma empresa inovadora, adaptativa e com força para competir num mundo em que a Web vem transformando os negócios e o comportamento dos consumidores numa velocidade jamais vista.
Por isso, acredito que o termo “Enterprise 2.0” significa muito mais que tecnologia, significa o futuro e a sobrevivência das organizações. Além disso, proponho um novo significado para o termo, onde Enterprise 2.0 = Web 2.0 + Gestão 2.0.
Veja também…
http://w2m2.wordpress.com/2009/08/03/web-2-0-requires-a-management-2-0/
Abraços,
Marcel Castellani Aldecoa
Enterprise 2.0 Evangelista
Marcel,
Concordo plenamente com você. Porém acho que a governança vai além das competências dos fornecedores de TI, o que, muitas vezes não é bem compreendido pelos gestores. Na minha opinião, o principal pilar da governança são as pessoas que, além de oferecerem a sustentabilidade necessária, também são o ponto crítico para adoção ou não dos modelos necessários.
Parabéns pelo blog!!
Sim, concordo, governança é bem mais abrangente e continua sendo muito importante, principalmente quando falamos das pessoas. O papel dos fornecedores neste caso é oferecer soluções que facilitem a governança como, por exemplo, single sign-on, trilha de auditoria, segurança mais robusta e integrada com o ambiente, etc. Portanto, o que “deve tirar o sono” dos executivo é o aspecto cultural, o estilo gerencial e outros que influenciam o comportamento das pessoas. Tecnologia deve ser preocupação de quem entende de TI.
Fernando,
Excelente texto. Eu o li no site da HSM e gostei muito do conteúdo. Tenho escrito bastante sobre redes sociais também.
Sou a favor da prática de separar alguns minutos do profissional durante o dia para o seu aprendizado e informação. E as redes sociais ajudam e muito nessa questão!
Parabéns pelo blog e espero que possamos trocar algumas experiências sobre esses assuntos e outros co-relacionados.
Um abraço,
Obrigado Rafael,
Abraço
Ótimo texto Fernando, também li pelo site da HSM, parabéns!
Realmente nos deparamos com vários executivos com esse pensamento antiquado, de que a internet atrasa os trabalhos. Em parte eu concordo, pois se a empresa “liberar” esse acesso sem uma política de governança boa, provavelmente a empresa sofrerá problemas com as funcionários, já vivi isso na pele, mas se for implantada um política antes de estimular o acesso as redes sociais, com certeza dá certo! Temos vários casos de sucesso nesse aspecto e pesquisas afirmam que essa prática aumenta a produtividade dos funcionários.
Mais uma vez, parabéns pelo blog.
Sds,
Rodrigo Souza
http://ti-negocios.blogspot.com/