A capacitação de pontos focais
Os pontos focais a que me refiro neste post são aqueles funcionários escolhidos como gestores do espaço de sua respectiva área no projto – seja um site, intranet ou portal corporativo. Essa gestão pode abranger um amplo espectro de tarefas, mas, geralmente, está mais voltada para a gestão de conteúdo e governança, no sentido de serem a pessoa a serem procuradas nas demandas das áreas.
Vale lembrar que os pontos focais exercem as mais diversas atividades e funções como parte do trabalho para o qual a empresa realmente os contratou. Ou seja, o perfil deles é o mais variado possível. Raras são as empresas que conseguem designar como pontos focais pessoas de comunicação. Portanto, os pontos focais precisam sempre de capacitação que os oriente a exercer mais essa função. E é aí que a maioras dos projetos começa a emperrar. Boa parte das empresas acredita que a capacitação dos pontos focais é realizar uma reunião no início do projeto e outra de vez em quando, sem periodicidade definida, para tratar de assuntos gerais. Fazendo isso, não dá pra estranhar que as pessoas não se sintam engajadas e, simplesmente, abandonem as atividades que deveriam exercer como pontos focais.
O que fazer então?
Bem, como os pontos focais têm perfis profissionais dos mais variados, a primeira coisa a fazer é alinhar os conhecimentos com dois workshops:
- Gestão de conteúdo – o que é? Quais as atividades que devem ser feitas? Qual o papel de cada um? Como identificar uma informação importante? Quais são as informações que podem ser divulgadas e quais não podem se acordo com a política de segurança de informação da empresa?
- Webwriting – o objetivo não é formar redatores, mas oferecer noções básicas de estilo, ortografia, peculiaridades do conteúdo para ambientes web, etc.
- Utilização do gerenciador de conteúdo – se a idéia é que os pontos focais alimentem diretamente a ferramenta, eles precisam saber o que fazer. Veja que, de próposito, eu deixei este tópico por último. Percebi que os dois primeiros têm mais aceitação, pois alguns dos ensinamentos podem até ser usados no dia-a- dia.
Esses workshops não devem ser realizados apenas uma vez. Na verdade, o conteúdo deles se retroalimenta com a constatação diária das dificuldades em casa um dos temas. Por exemplo: no próximo workshop sobre gestão de conteúdo serão abordadas as principais dificuldades que os pontos focais enfrentam e como superá-las.
O trabalho com os pontos focais não termina aí. Afinal, a empresa acaba de criar uma nova comunidade que dever ser dinamizada, motivada e reconhecida. É possível criar formas de os pontos focais trocarem informações entre eles, melhores práticas, por exemplo. Algo que algum deles fez e deu muito certo e que compartilhar com os demais.
Reconheça também aqueles que se destacarem por algum motivo. É a moeda social. Lembre que els não estão ganhando nada a mais pelas novas atividades. Cuidado, no entanto, pois muitas vezes existe a tendência de alguns pontos focais quererem dominar a comunidade, o que não é benéfico e cabe aos gestor do projeto evitar.
3 comentários até agora
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Olá Fernando
Gostei muito do post, que aborda uma questão que é comumente tocada na forma do “vou levando”. Você fez uma excelente sistematização. Complementando as dicas, acho que duas formas interessantes de promover o reconhecimento e o compartilhamento entre os pontos focais são: a produção de uma newsletter dessa comunidade, na qual um profissional de comunicação tenha a atividade regular de garimpar as boas práticas, selecioná-las e ser o vetor do compartilhamento; e/ou um blog da comunidade, mais solto, mas no qual a atividade dependerá da iniciativa de cada um, o que em geral disputa um tempo já escasso. Talvez vc possa nos trazer casos de cada um na sua vasta experiência, e avaliar os prós e contras.
Um abraço
Sérgio Storch
Oi Sérgio. Pois é, infelizmente é exatamente como você disse: a capacitação geralmente vai sendo levada sem estratégia e o final do caminho quase sempre é o fracasso. Interessante que você mesmo cita ações muito simples para manter os pontos focais engajados. Além daquelas a que você se referiu, eu conheço outras:
Criar uma área exclusiva para a comunidade dos publicadores trocarem informações, melhores práticas, receberem reforço em pontos específicos, etc. Já vi isso ser feito, de forma muito simples, mas eficiente. Os publicadores, ao acessar a ferramenta de gestão de conteúdo, visualizam essa homepage da sua comunidade. Ou seja, a passagem por alí é obrigatória.
Promover encontros presenciais dos publicadores. Trazer todo mundo, uma vez por ano que seja, para debater idéias, escutar dificuldades e reconhecer o trabalho que estão fazendo.
Como você vê, não é nada tão difícil. O problema mesmo é a falta de planejamento!
Fernando, ótimo post. Sem profissionalismo, não há intranet ou portal que resista. E os pontos focais jogam um papel fundamental, como você bem destaca.